Dica Intertelas: “Noturno Manauara – Outros Contos Amazônicos na Desglobalização”, de José Ribamar Mitoso

Dica Intertelas: “Noturno Manauara – Outros Contos Amazônicos na Desglobalização”, de José Ribamar Mitoso

Neste “Dica Intertelas”, sugerimos a obra “Noturno Manauara – Outros Contos Amazônicos na Desglobalização”, de José Ribamar Mitoso. Trata-se de uma obra que reúne vários contos e duas novelas que expressam o contexto sociocultural da globalização na Amazônia brasileira, assim como a trajetória existencial e a estética estilístico-literária deste escritor latino-americano. Esse é o quinto livro de contos do autor e traduz em ficção o choque entre o padrão cultural que a globalização tentou impor na África, na Ásia e na América Latina e a reação bem-humorada das populações originárias e tradicionais da Amazônia contra este padrão colonialista, que tentou e tenta destruí-las ou exotizá-las.

“Noturno Manauara” traz uma pergunta oculta que os contos tentam desvelar: enquanto a cobiça internacional globalizada privatiza a floresta Amazônica, o oxigênio, as águas e a cultura, o que acontece, à noite, em Manaus? O tema do choque cultural está nas vozes dos narradores que expressam uma visão de mundo satírica, crítica, amazônica, popular, originária, tradicional, descolonizadora, decolonial, contracolonial, humorada, insurgente e vegana.

Essas vozes narradoras são o ponto de partida para transformar o conteúdo em forma artística, que se estrutura reinventando, no século XXI, estilos do século XX. É como o realismo satírico crítico, da novela “Tropical Úmida” e dos contos “O Jeans Denin Indigo e o Faroeste Caboclo”, “Amor Globalizado I” e “A Leitora Globalizada” mostram. Da mesma forma, podemos observar o realismo satírico mítico nos contos “Saga Munduruku” e “Noturno no Rio Negro II”. Também temos contato com o realismo satírico mágico, da novela “Laurinha Gouncurt”, e com o realismo satírico fantástico no conto “Fábula Vegana”.

LuizArmando

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