Carnaval 2025: primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Rio

A primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio, na Sapucaí, foi marcada por enredos sobre negritude e religiosidade afro. A festa começou com a apresentação da campeã da Série Ouro, a Unidos de Padre Miguel (UPM), que retornou ao Grupo Especial após sua última participação em 1972. Em seguida, foi a vez da Imperatriz Leopoldinense entrar na Avenida. A terceira escola da noite, a Viradouro, levou para a Sapucaí uma encenação sobre o estado de transe que pode ser alcançado após a ingestão da jurema. Por fim, quem encerrou os desfiles foi a Mangueira, com um enredo que destacou a influência do povo africano na construção da identidade carioca.
O Boi Vermelho da Vila Vintém contou a história de protagonismo de Francisca da Silva, a Iyá Nassô, ialorixá fundadora do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, em Salvador, na Bahia, no século XIX. Sua liderança feminina é reconhecida por ter trazido o “modelo de candomblé” para o Brasil, como explica o carnavalesco Lucas Milato, que assina o desfile com o veterano Alexandre Louzada.
A Imperatriz foi a segunda a entrar na Marquês de Sapucaí neste domingo, primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, com o enredo “Ómi Tútú ao Olúfon: Água Fresca para o senhor de Ifón”. A escola levou uma alegoria com cinco mil litros de água para ajudar contar o enredo da escola de Ramos. Durante a jornada até o reino de Oyó, Oxalá enfrenta uma série de obstáculos, que resultam em sua prisão, após descumprir os conselhos de um babalaô para desistir da viagem e de fazer oferendas a Exu.
Com o enredo “Malunguinho: o mensageiro dos três mundos”, a Viradouro causou um delírio na Avenida, numa referência ao estado de transe que se pode chegar após tomar a jurema. As esculturas levadas para a Avenidade foram estudadas para passar a sensação de movimento, em conceito que Tarcísio define como “cinestaticidade”. A mistura de cores também foi pensada para provocar certa alucinação. Além disso, a transparência foi outra aposta da escola, em referência aos cristais, usados em altares de jurema.
A Mangueira levou para a Sapucaí como é a presença dos povos bantos — tronco étnico-linguístico de escravizados trazidos de onde hoje estão Angola, o Congo, a República Democrática do Congo e Moçambique — no Rio de Janeiro.